sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Nossos projetos...


  1. Frotagem

  2. Nanquim Raspado

  3. Isoporgravura

  4. Monotipia

  5. Aguada
Terra, 1993
Gravura em Metal de Fayga Ostrower

>> Frotagem


A palavra “Frottage” é de origem francesa - frotter, que significa “esfregar”. Consiste em colocar uma folha de papel sobre uma superfície áspera, que contém alguma textura, e esfregá-la, pressionando-a com um bastão de giz de cera, por exemplo, para que a textura apareça na folha.

No campo da arte, essa técnica foi usada pela a primeira vez pelo o pintor, desenhista, escultor e escritor alemão Max Ernest (1891 – 1976), um dos fundadores do movimento “Dada” e posteriormente um dos grandes nomes do Surrealismo.



Munido de um papel e um giz, uma caneta, ou qualquer outro condutor, podemos sair em busca de texturas interessantes.

Ao participante é requerido um olhar atento a captar as propriedades da superfície dos objetos, da estrutura arquitetônica e qualquer relevo que possa ser usado na criação de imagens.

O resultado é a supresa frente às mais inusitadas e ricas imagens.

MODOS DE FAZER

Com o uso do lápis grafite, giz de cera, caneta esferográfica, lápis de cor etc, chegaremos a diferentes resultados, dos quais vamos escolher aqueles que mais atendem a nossa proposta.

Por se tratar, de uma certa forma, de um decalque sobre uma matriz, a frotagem nos permite a repetição da ação e consequentemente reprodução do desenho várias vezes seguidas.

Tendo um processo de confecção bastante simples, a sua feitura pode ser realizada em qualquer lugar, se firmando como um ótimo exercício de experimentação contínua.


MATERIALIDADES

A investigação das propriedades táteis dos objetos compreende a criação das mais ricas visualidades. Passamos a olhar os objetos de maneira diferente, prestando mais atenção às suas propriedades, sempre imaginando as possibilidades criativas que ele nos oferece.


ELABORANDO

Partindo deste processo, podemos iniciar um trabalho de elaboração de desenhos e composições, articulando visualidades, campos de força, movimentos, pesos, tonalidades sobre o plano.

Neste processo, trabalhamos diversos elementos das artes visuais referentes ao estudo da forma, composição, textura, estrutura do desenho etc, executando processos mentais que exploram a intuição e a percepção.






>>Nanquim raspado







Você já pensou em fazer um desenho por subtração? Em vez de adicionar pigmento ao papel, retirar matéria do suporte do desenho? Se não, você está prestes a descobrir uma técnica que permite este procedimento e inverte a lógica do ato de desenhar. Não, não é gravura, é desenho!

O nanquim raspado se baseia na preparação de uma folha de papel, formado de duas camadas de pigmento de diferentes naturezas. A técnica remonta a prática do esgrafito muito usada na arquitetura portuguesa, séculos atrás. Uma maneira de se fazer motivos ornamentais nas paredes e muros, o esgrafito foi importado da Itália no século XV e incorporada e adaptada aos moldes portugueses de construção e decoração.




ESGRAFITO


amostra da técnica do esgrafito.
Legenda grega, datada da transição do sec. XVI para o sec. XVII.
Núcleo Museológico no Convento de S. Domingos



Vergílio Correia, em 1937, em sua obra, Etnografia Artística Portuguesa, aborda esta prática. Entre as pp. 21 e 26 ele diz:
“Por todas as vilas e cidades do Alentejo os "esgrafitos" dominam o alto das fachadas, avivam as esquinas das casas, acompanham a volta das janelas, abraçam em várias ordens de fiadas o fuste das torres sineiras (...) e embelezam ainda mais, se é possível, as chaminés”.



Nesta região, o esgrafito era feito a partir de um molde vazado em uma placa de metal. O artista então colocava o molde sobre a parede de pintada e raspava a cal por meio de uma colher. Sendo assim, a cor cinzenta ou avermelhada do barro ficava descoberta, constituindo o fundo, a outra cor do desenho.



PROCEDIMENTOS
Para que possamos conseguir fazer o nanquim raspado, precisamos criar duas camadas sobre o papel, uma gordurosa e a outra aquosa,à base de água. O procedimento consiste exatamente na raspagem da primeira camada e a aparição da segunda.
Na verdade, o procedimento é bastante simples e os materiais são os mais fáceis de serem encontrados: giz de cera e tinta nanquim, mas deve ser cuidadosamente preparado para que alcancemos a qualidade desta combinação química e conseqüentemente as condições ideais para a raspagem.

PASSO A PASSO


1
pegue o papel, de preferência de alta gramatura, e cubra sua superfície com o giz de cera, da cor de sua preferência.
O giz deve ser bem precisamente pressionado, e cobrir o papel completamente, não deixando nenhuma brecha para o contato direto entre o nanquim e papel.





2
molhe o pincel na tinta nanquim e passe uma camada sobre a folha colorida com o giz. A reação do giz de cera ao nanquim é de repelência, já que, naturalmente, consistências gordurosas não se misturam com soluções aquosas. É como se o nanquim se retesse e acumulasse na superfície, empossando um pouco e não conseguindo cobrir todo o papel de uma vez. Mas está tudo certo, passemos apenas uma camada e deixemos ela secar.





3
depois de seca passemos a segunda camada sobre a folha e esperemos secar.


4
verificar se não há buracos no papel, ou seja, se ele foi completamente coberto pela tinta nanquim.
Logo após a secagem completa, o papel está pronto para ser desenhado, melhor dizendo, raspado. Basta se apropriar de uma ponta seca e mãos à obra!







>>Isoporgravura


A gravura em isopor é usada como um recurso artístico e didático que reconstrói o processo da xilogravura, gravura em relevo, feita em madeira.Ela apresenta especificidades que favorecem o manuseio das crianças, por exemplo, apresentando, de uma forma geral, menos rigidez que a madeira. O isopor, mais poroso e macio, não exige as goivas ou estiletes usados para cortar a fibra da madeira, mas pelo contrário: pode ser gravado com praticamente toda sorte de objetos, desde lápis, uma ponta seca, a tampinhas, pregos etc.


UM POUCO DE HISTÓRIA

A gravura surgiu com a invenção da imprensa e acabou por revolucionar a relação do homem ocidental com a distribuição de informação e conhecimento. Nada mais e nada menos, estamos falando da invenção de uma forma de reproduzir um texto ou uma imagem repetidas vezes, ou melhor, da gravação de uma imagem ou texto em uma matriz durável (de madeira, cobre ou chumbo, por exemplo), que pode ser impressa em papel ou outro suporte, por inúmeras vezes. Na Idade Média, os livros eram reproduzidos à mão por monges e sacerdotes - um serviço que exigia grande dedicação e domínio técnico, sendo assim, bastante lento. O recurso da gravura trouxe assim uma mobilidade e uma eficiência na produção e distribuição de documentos escritos antes nunca vista. As primeiras xilogravuras da história foram usadas na confecção de estampas para tecido, cartas de baralho, assim como panfletos religiosos. Posteriormente, ela foi o recurso utilizado para a disseminação dos fatos, dos acontecimentos, de tratados de pintura, escultura e iconografia, de livros, panfletos e periódicos. Com o passar do tempo, o seu uso foi sendo aperfeiçoado, surgindo os tipos móveis e a conjugação do texto com a imagem, usando uma matriz fragmentada e montável. Ainda hoje, quando abrimos um livro ou mesmo revista, deparamos com uma imagem e a reconhecemos como uma “gravura”, mesmo que ela não tenha sido impressa por meio desta técnica. O desenvolvimento da indústria gráfica fez com que a gravura fosse substituída pelas novas tecnologias de produção. Em muitos lugares, porém, ela ainda serviu como recurso ideal, o mais prático, rápido e barato, para as necessidades factuais. Este foi o caso do interior do Nordeste brasileiro, em especial, no Ceará, onde a Literatura de Codel utilizou por muito tempo, e até hoje, da maestria dos xilógrafos locais. Os cordéis nascem de uma variante dos folhetos periódicos da época, e como, nesta época as cidades do interior não dispunham de equipamentos de produção mais avançados, apropriaram da xilogravura, criando uma manisfestação de características únicas no país. Apenas a partir do século XX, que no Brasil a gravura em madeira passa a ser vista como um suporte para trabalhos em arte. Grandes artistas surgiram, desta época até hoje, elegendo a xilogravura como suporte ideal de suas poéticas. Demonstravam afinidade e paixão pela exploração das suas propriedades e suas especificidades, revelando uma expressividade que só através do trabalho com a madeira ela seria possível. No embate físico com a madeira, onde a matéria põe resistência à mão, movido pela imaginação criadora, o artífice cria desenhos e formas, se revela e aperfeiçoa, no diálogo constante entre homem e matéria.

DESENVOLVIMENTO TÉCNICO

Para trabalhar a gravura em isopor, vamos precisar de um espaço amplo que deverá ser subdividido em outros espaços, que serão destinados a funções específicas. Podemos dividir o procedimento da gravura em três fases: desenho, gravação e impressão. Para cada atividade vamos precisar de condições e materiais diferentes, às vezes bastante diversas entre si.


MATERIAIS NECESSÁRIOS




- Bandeija de isopor
- Rolo de espuma
- Tinta guache
- Estilete
- Lápis e pontas-secas
- Papel jornal ou sufite
- Colher de pau
- Placa de vidro ou fórmica


PASSO A PASSO

1
O isopor indicado para a gravação é o isopor prensado, aquele encontrado nas bandeijas de frios ou congelados nas geladeiras do supermercados. Esta bandeija pode ser encontrada em grande quantidade em lojas de embalagens, ou grandes mercados
.




De posse dela, fazemos o corte de suas abas, tomando o cuidado para não ferir a superfície macia do isopor, para não gravá-la e ter um possível ruído na nossa futura estampa (cópia impressa).




2
Para a gravação, é bom que tenhamos disponíveis diversos materiais, como pontas-secas, lápis, caneta, tesoura, tampinha de refrigerante, estilete, enfim, qualquer material que possa marcar o isopor. A proposta é experimentá-los, de maneira a conhecer as suas propriedades e efeitos, para então poder usá-los, explorando o recurso ideal no momento que desejarmos.

A gravação vai consistir na abertura de um sulco, de um baixo relevo na superfície da placa de isopor. Podemos fazer linhas, fixar a forma de objetos, assim como criar grande massas em branco com a tesoura ou estilete.







3
Após acharmos que a placa está devidamente gravada, de maneira a aproximar do resultado que queremos, passamos para a impressão, a fim de conferir que imagem impressa teremos com o trabalho feito até então.
A entintagem nos exige bastante atenção. Seus procedimentos - a quantidade de demãos de tinta sobre a placa, a pressão sobre o rolo, por exemplo -, vão sempre variar de acordo com a consistência da tinta utilizada, a natureza do traço feito na placa, e o estado do próprio rolinho. Quando estivermos utilizando um guache muito fluído, é interessante que deixemos ele “secar”, perder um pouco sua água, para ficar mais espesso.




Um dos princípios da impressão diz respeito ao controle da tinta, fazendo com que ela cubra toda a superfície da placa, mas ao mesmo tempo evitando com que a tinta entre para as áreas afundadas, em baixo-relevo.



4
Garantir a clareza e a integridade do desenho gravado, assim como garantir o alto contraste na impressão da estampa são demonstrativos de uma impressão de qualidade.
Não podemos esquecer que a variação desta clareza, deste contraste, dessas qualidades podem, como devem, variar voluntariamente a fim de chegarmos ao ponto que mais nos interessa da estampa.
A impressão é um processo, assim como toda a gravura, que exige experimentação e domínio da técnica. Após termos a placa devidamente entintada, a colocamos sobre o “registro” ou “cama” (a ser mencionado mais à frente) e acertamos sobre o papel a posição da matriz, virada para cima.

Logo após colocamos o papel sobre a matriz e com cuidado o pressionamos levemente sobre ela de modo a tirar as possíveis bolhas de arte entre os dois.

Viemos então com a colher-de-pau e em movimentos circulares friccionamos o seu verso sobre o papel, até passarmos por toda a área da matriz.

Quem não conseguir adquirir uma colher de pau, pode improvisar como outro instrumento de forma arrendondado de superfície áspera como a madeira.
Nunca podemos esquecer a questão da alta maleabilidade do isopor e da sua maciez. Toda pressão sobre a matriz, assim, deve ser firme o suficiente para imprimir e fixar a folha no papel, mas delicada o suficiente para não amassar nem ferir o isopor.


5

Agora, como muito cuidado, colocamos uma das mãos sobre o papel da impressão e com a outra levantamos um dos lados do papel, a fim de confirir o resultado.



TIRAGEM


Como já falado, a gravura nos permite reproduzir uma mesma imagem repetidas vezes. O processo da impressão se inicia na medida em que fazemos as Provas de Estado (P.E.), a fim de verificar a imagem reproduzida no papel. No ateliês de gravura, várias provas são feitas até que se chegue na medida ideal da entintagem e da impressão e também na imagem ideal gravada na matriz. Sendo assim, o artista está pronto para definir uma tiragem, ou seja, definir o número de cópias que fará de sua matriz.


Seguindo os procedimentos tradicionais, o gravador, em cada impressão, anota o número da cópia seguido do número total da tiragem, no canto inferior direito da imagem. Por exemplo, numa tiragem de 10 exemplares: 1/10, 2/10, 3/10... e 10/10.


Desta forma, o artista, assim como o próprio público, pode ter controle das impressões que vai fazer de uma única matriz.



REGISTRO ou "CAMA"



A prática do Registro serve o gravador para garantir a boa disposição da estampa impressa na folha de papel. A idéia é garantir uma distância adequada dos limites da estampa até a borda, ou seja, construir as margens da impressão. Geralmente, utiliza-se a mesma medida para as margens laterais e superior, sendo a inferior mais larga para receber a assinatura.




REFLEXÕES

Na gravura, a artista tem de produz tudo. Diferentemente do pintor, ele não trabalha em si com a cor, mas com o traço. Sua busca é a do surgimento do desenho com o mínimo de traços. Cada incisão é uma marca irreversível que surge no plano.
A inversão é uma constante no processo da gravura. Percebemos que a matriz revela uma estampa com imagem invertida. É uma espelhada, é como um carimbo. Desde o início, na concepção da imagem, o artista já deve desenhá-la sabendo deste detalhe: que ela será invertida e terá a direção de suas linhas de força, dos seus pesos e vazios mudada. Apesar de toda minúcia e controle desta propriedade, a impressão da gravura sempre traz um inesperado. É um processo mágico, onde o artista sempre se surpreende com o que sai da cartola.